Crítica de Fernando Melo: Hiroo Fusion Sushi, em Cascais

O país está pejado de restaurantes de inspiração oriental e agora que está vencida a era chinesa, a japonesa continua a mostrar-se enérgica, dando resposta à ainda crescente procura por parte da imensa comunidade de amantes dos pauzinhos, peixe cru, rolos de sushi, tempuras e quejandos. O Hiroo em Cascais destaca-se pela frescura do pescado, calor humano e difícil arte do tempo dos samurais.

Fernando Melo – Crítico de Comida e de Vinhos

Há dois grandes grupos de restaurantes japoneses entre nós: o da autêntica praga indiferenciada de casas tipo “all you can eat” – leia-se comer até fartar – em que falha tudo, até o sabor; e os lugares de excelência e vanguarda, em que o requinte samurai se sente nos mais pequenos detalhes, desde a qualidade do produto até à emoção estética. No primeiro grupo, paga-se incrivelmente pouco, no segundo paga-se normalmente muito, ficando até com a impressão de metade da conta foi pelo suposto luxo asiático com que somos agraciados. Dei de passagem com este Hiroo, integrado numa correnteza urbana de Cascais, declinação restaurativa do empresário Giscard Muller, que me fez rever totalmente o significado do autêntico luxo asiático. Uma cozinha étnica nas mãos certas é o céu e aqui neste reduto surpreendente subimos até bem alto. Marcus Tamari (51 anos) nasceu em São Paulo e viveu seis anos no Japão, enquanto Leandro Araújo (40) é de Minas Gerais. Juntos confirmam a grande regra de que muita da grande cozinha japonesa labora e encanta fora do Japão, o rigor no corte, a correção do arroz, a harmonia de sabores e texturas, e tanto mais são profundamente inspiradores.

O biónico Giscard criou os Hiroo – sim, há mais, este é o mais recente, com menos de dois meses de existência – pelo seu fascínio pelo mítico soldado japonês chamado Hiroo que em 1945 foi enviado para as Filipinas com ordens expressas de jamais se render e que não deu pelo fim da Guerra e só foi disso informado em 1974. Aqui são todos heróis os que nos servem primorosamente, e a concentração dos chefs Tamari e Araújo é de nível ninja. Maravilhosa tempura de ostras (12 euros), a melhor que comi até hoje, genial tataki de atum (10 euros) e nigiri especial de peixe branco (3,50 euros) digno de samurai, a desfazer-se na boca, de resto como os sashimi de atum (8 euros), salmão (6 euros) e peixe branco (7 euros). Oferta copiosa de gunkans de grande arte, não hesito na escolha do onoda (6 euros), composto por atum braseado, foie gras, doce de gila e flor de sal, toda uma viagem. Muito equilibrado e fino o ceviche de salmão (7,50 euros), viciante o usuzukuri com ponzu trufado (11 euros) e inesquecíveis as quatro peças de maguro hossomaki (4 euros). Há que ir e voltar muitas vezes até que se consiga eleger os favoritos. Boas harmonizações vínicas.

A refeição ideal
Menu do chef (19,90 euros)
Tártaro com kimushi
Carpaccio de salmão
Hot rolls
Ebi crispy
Combinado sushi/sashimi
Gunkans especiais

ARTIGO ORIGINAL: https://www.evasoes.pt/comer/critica-de-fernando-melo-hiroo-fusion-sushi-em-cascais/1027282/

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